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Transparência Pública

Combate à corrupção: Mudança de cultura no país passa por educação cidadã, defendem autoridades

Evento

Representantes de órgãos federais e entidades da sociedade civil participaram, hoje (12), em Brasília, de evento alusivo ao Dia Internacional Contra a Corrupção
publicado: 12/12/2018 17h15 última modificação: 12/12/2018 17h36
Foto: Adalberto Carvalho - Ascom/CGU Solenidade de abertura contou com as presenças de representantes de órgãos federais e entidades da sociedade civil

Solenidade de abertura contou com as presenças de representantes de órgãos federais e entidades da sociedade civil

O combate à corrupção deve passar pela mudança de cultura junto a crianças e jovens, por meio de iniciativas que contribuam para a formação de uma nova geração comprometida com a ética e a integridade. Essa foi a tônica dos discursos feitos por representantes de órgãos de controle e de entidades da sociedade civil reunidos nesta quarta-feira (12), em Brasília (DF), no evento alusivo ao Dia Internacional contra a Corrupção, promovido pelo Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU).

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A solenidade de abertura, no auditório da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), contou com as presenças dos ministros Wagner Rosário (Transparência e CGU); Rossieli Soares (Educação); Torquato Jardim (Justiça); além da Diretora e Representante da UNESCO no Brasil, Marlova Noleto; do presidente da CNA, João Martins; diretor-geral da Organização de Estados Iberoamericanos (OEI), Raphael Callou; e do presidente do Instituto Ethos, Caio Magri.

Vídeo - Confira a íntegra da abertura: 

 

O ministro da Educação, Rossieli Soares, enfatizou que “não existe a possibilidade de combater a corrupção somente nas esferas midiáticas. Nós precisamos combater a corrupção cultural, precisamos combater a corrupção junto com as nossas crianças, pois é com elas que nós temos maior adesão”. Soares destacou a expansão da parceria entre a CGU e o MEC, por meio do programa Um por Todos! Todos por Um!, que utiliza a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como referencial para aliar o tema da ética e da cidadania à diretrizes da educação. Em 2019, o programa será expandido para os alunos do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) de todas as escolas públicas do país, com apoio do Instituto Mauricio de Sousa e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/CNA).

Na mesma linha, a representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto, sustentou que “o Brasil, lamentavelmente, é um país onde existe uma cultura de corrupção muito enraizada. Está em pequenos hábitos e gestos do dia a dia, e portanto, o papel da educação é fundamental para mudar esse quadro”. Noleto considerou muito importantes iniciativas como o Concurso de Desenho e Redação, promovido pela CGU. Segundo ela, começa na escola o desafio da mudança do país: “precisamos não permitir que as crianças convivam com pequenos atos de corrupção como se fossem normais e que o país banalize isso, de forma que, quando grandes atos de corrupção ocorram, exista uma espécie de conivência tácita com esses malfeitos”.

“Hoje celebramos a união entre educação e controle. O futuro do Brasil está baseado nas crianças e jovens. E contribuir para a educação cidadã é um componente essencial para que a gente possa esperar do futuro algo muito melhor”, afirmou o diretor-geral da Organização de Estados Iberoamericanos (OEI), Raphael Callou. Segundo Callou, a OEI preza sempre pelo desenvolvimento da educação, da ciência e da cultura como instrumentos para auxiliar a promoção da democracia na região. “A democracia não existe sem uma prática cidadã em plenitude. Da mesma maneira, a cidadania só pode ser plenamente constituída à medida que se oferece mecanismos concretos de controle social”, ressaltou.

O presidente da CNA, João Martins, destacou o papel do agronegócio para o país e sinalizou que acredita num futuro melhor. “Eu como um brasileiro, que tenho filhos e netos, sonho com um país mais justo e livre de corrupção”. Já Caio Magri destacou a iniciativa do Ministério da Agricultura ao lançar o selo Agro Mais Integridade, com a participação da sociedade e das empresas, que está trazendo a excelência da integridade e da transparência para um setor que já é muito bem-sucedido do ponto de vista da gestão dos negócios e da produtividade.

Avanços do controle

Ao encerrar a abertura do evento, o ministro da Transparência e CGU, Wagner Rosário, fez uma apresentação dos principais resultados alcançados pela CGU em 2018 e afirmou que se trata de “uma prestação de contas à sociedade, para que ela saiba quais ações estão sendo realizadas a fim de evitar e punir casos de corrupção e má gestão”. O ministro ressaltou que “estamos aprimorando os mecanismos de integridade juntos aos órgãos do Governo Federal para que problemas não voltem a acontecer. A gente vai aprendendo com os casos de corrupção, criando mecanismos preventivos para combatê-los. Então, todo esse conjunto de informações serve de auxílio para uma melhor gestão pública", defendeu.

O avanço do trabalho realizado pelos órgãos de controle também foi destacado por outros participantes do evento. Torquato Jardim, ministro da Justiça, salientou que a corrupção não é um problema exclusivo do Brasil. Por isso, o combate a esse mal depende de ação articulada e integrada entre órgãos e nações. Ele usou o exemplo da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla), que completou 16 anos e reúne 95 órgãos públicos dos três níveis e das três esferas da administração. “É um trabalho conjunto de imensa repercussão. É o exemplo de que o Brasil está sim combatendo a corrupção. Esse trabalho deve ser reconhecido”, afirmou o ministro.

Já o delegado da Polícia Federal Umberto Ramos Rodrigues, que representou o diretor-geral da instituição, considerou fundamental o papel da integração entre os órgãos de defesa do Estado para o combate à corrupção. Segundo ele, as operações executadas são, em grande parte, resultado da atuação conjunta com a CGU e outros órgãos, como o Ministério Público e as outras forças policiais. “A Polícia Federal tem desenvolvido um trabalho significativo nessas operações de combate à corrupção e acredita na força transformadora das instituições como um indutor da mudança de práticas e de boas ações que são realizadas ao longo do ano”, concluiu Rodrigues.