Auditoria e Fiscalização

Avaliação

CGU avalia Política Nacional de Prevenção e Combate ao Câncer no SUS

publicado: 08/06/2018 15h52, última modificação: 08/06/2018 16h17
Má distribuição de recursos, sistemas de informação deficientes e atrasos nas ações voltadas a aumentar a oferta de tratamentos oncológicos prejudicam pacientes e oneram cofres públicos
CGU avalia Política Nacional de Prevenção e Combate ao Câncer no SUS

Objetivo é avaliar a coordenação exercida pelo Ministério da Saúde e a atuação dos gestores locais do SUS

O Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) divulga resultados preliminares da avaliação da Política Nacional de Prevenção e Combate ao Câncer. O objetivo é avaliar a coordenação exercida pelo Ministério da Saúde e a atuação dos gestores locais do SUS, no que diz respeito à oferta de tratamentos oncológicos. 

O assunto foi um dos 16 temas selecionados pela CGU e priorizado no Plano Tático 2017 em razão da criticidade (fragilidades na aplicação dos recursos repassados), materialidade (procedimentos realizados pelo SUS para tratamento contra o câncer alcançam cerca de R$ 3 bilhões por ano) e relevância (dados do Ministério da Saúde indicam que os diferentes tipos de câncer correspondem à segunda maior causa de mortes por doenças no Brasil). 

Acesse os resultados na íntegra

Desde o segundo semestre de 2017, a CGU realizada fiscalizações em todos os Estados sobre a execução de políticas públicas de tratamento contra o câncer, além de auditorias no Ministério da Saúde. Ao todo, serão mais de 100 relatórios de fiscalização sobre o funcionamento de 44 hospitais (responsáveis por cerca de 30% de todos os tratamentos contra o câncer realizados no SUS) e sobre a atuação de 14 secretarias municipais e de 13 secretarias estaduais de saúde. 

Serão objeto de avaliação as etapas de planejamento da atenção oncológica, da estruturação de hospitais (construção, reforma, ampliação e instalação de equipamentos), do custeio dos tratamentos, da regulação do acesso dos pacientes aos tratamentos, da oferta de tratamentos pelos hospitais e pelo monitoramento da política em nível nacional. 

Constatações  

- Recursos federais destinados à estruturação de estabelecimentos de saúde na área de oncologia não são alocados nas regiões com maiores carências ou necessidades de atendimento. O mapa a seguir indica que os recursos destinados a convênios na área se concentram principalmente nas regiões Sul e Sudeste, apesar da alta carência em outras regiões, principalmente Norte e Centro-Oeste: 

Mapa Convênios.jpg

Relatório nº 201701501: Concentração territorial dos recursos federais transferidos para a estruturação de hospitais para oferta de atendimento oncológico

- Tendência de concentração dos investimentos na área de oncologia em estabelecimentos de saúde privados que atendem pelo SUS; 

- Atrasos significativos nas ações voltadas a aumentar a capacidade de oferta de tratamentos oncológicos no SUS. Em 2013, o Ministério da Saúde iniciou o Plano de Expansão da Radioterapia, que previa a instalação de equipamentos utilizados no tratamento contra o câncer em 80 hospitais até 2015. Atualmente (primeiro semestre de 2018), somente oito soluções foram entregues. Outros exemplos de atrasos: 

- Os sistemas de informações oficiais do SUS utilizados na área de oncologia possuem dado incompletos e/ou não fidedignos. 

- Alguns estabelecimentos de saúde que ofertam tratamentos oncológicos no SUS não possuem todos os profissionais e/ou equipamentos exigidos. 

Causas estruturantes 

- A CGU também observou que as principais causas estruturantes que levaram aos fatos descritos anteriormente foram: 
Baixa ingerência das áreas técnicas do Ministério da Saúde nas decisões sobre alocação de recursos federais na atenção oncológica; 

- Ausência de normatização e de padronização de ações relacionadas à atenção oncológica nos diferentes níveis de gestão do SUS; 

- Tratamento inadequado/insuficiente do Ministério da Saúde diante da existência de falhas de mercado relacionadas ao provimento de bens e de serviços na atenção oncológica (principalmente monopólios e oligopólios); 

- Insuficiência dos mecanismos de cooperação interfederativa voltados à atenção oncológica; 

- Fragmentação dos instrumentos de gestão das políticas de saúde utilizados nas diferentes localidades do território nacional; 

- Defasagem tecnológica de sistemas de informações oficiais do SUS e excesso de burocracia nos fluxos adotados para registro das ações executadas. 

Recomendações 

Assim, foram emitidas recomendações para que o Ministério da Saúde adote providências voltadas a sanar as falhas encontradas e aprimorar a execução da política, tais como: 

- Ajustes em normativos infralegais acerca da relação entre a gestão pública do SUS e hospitais filantrópicos; 
Elaboração e divulgação de documentos referenciais das necessidades de investimentos em oncologia no território nacional; 

- Revisões das estratégias de execução de políticas de assistência oncológica (centralização x descentralização); 

- Garantia da concorrência e/ou do equilíbrio de mercado no setor de oncologia por meio de ações regulatórias e por meio da atuação do Estado como principal consumidor desse setor; 

- Ajustes nos atributos dos sistemas estruturantes oficialmente adotados no SUS e aplicáveis à atenção oncológica; 

- Alterações na metodologia adotada para aferição da quantidade de tratamentos oncológicos realizados no SUS;  

- Alterações na metodologia de cálculo adotada para o rateio dos recursos federais destinados ao custeio das ações de atenção oncológica. 

A CGU permanece na busca conjunta por soluções e realiza sistemático monitoramento da adoção das providências por parte dos gestores.

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