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Transparência Pública

Ministério da Transparência divulga balanço da Lei de Acesso à Informação no Executivo Federal

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Governo recebeu 492 mil pedidos nos últimos cinco anos. Mais de 98% já foram respondidos
publicado: 11/05/2017 10h30 última modificação: 11/05/2017 12h38
Adalberto Carvalho/Ascom-CGU De 2012 a 2017, foram recebidos 492 mil pedidos. Desses, 486.923 (98,85%) já foram respondidos.

De 2012 a 2017, foram recebidos 492 mil pedidos. Desses, 486.923 (98,85%) já foram respondidos.

O Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU), como parte do evento de comemoração pelo cinco anos de vigência da Lei de Acesso à Informação, divulgou, nesta quinta-feira (11), o balanço da aplicação do normativo no Poder Executivo Federal. De 2012 a 2017, foram recebidos 492 mil pedidos. Desses, 486.923 (98,85%) já foram respondidos.

Das respostas enviadas, o acesso foi concedido em 366.880 (75%) e negado em 42,6 mil (8,75%) por tratar de dados pessoais, documento sigiloso, demanda genérica ou incompreensível. Os demais pedidos não foram atendidos por não tratar de matéria da competência legal do órgão ou pelo fato de a informação não existir. O tempo médio de resposta é de 14 dias. 

Para a secretária de Transparência e Prevenção da Corrupção, Cláudia Taya, os números demonstram o avanço da Lei de Acesso à Informação, que institucionalizou importantes mecanismos de garantia à sociedade. “Fornecer informações públicas não é um favor do Estado, mas sim um direito do cidadão. Ela impacta não só na melhoria das políticas públicas, mas diretamente no cotidiano de cada um de nós”, afirmou.

Em casos de negativa do acesso ou de informação incompleta, o cidadão pode recorrer em até quatro instâncias no Governo Federal. Do total de pedidos respondidos, houve 37 mil recursos à chefia superior àquela que emitiu a decisão; cerca de 10,6 mil à autoridade máxima do órgão ou entidade; 6,2 mil à CGU; e 1,9 mil à Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI), um colegiado composto por representantes de dez ministérios. 

O Ministério da Fazenda (MF) recebeu a maior quantidade de pedidos via LAI. As solicitações tratam, geralmente, de acompanhamento de processos, dúvidas sobre Imposto de Renda, CPF, débitos com a Receita Federal, Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do Setor Público Federal (Cadin), entre outros. Confira abaixo o ranking dos 10 órgãos mais demandados:

 

ÓrgãoPedidos
MF – Ministério da Fazenda 31.872
INSS – Instituto Nacional do Seguro Social 29.864
ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 20.166
CEF – Caixa Econômica Federal 19.021
SUSEP – Superintendência de Seguros Privados 18.385
BACEN – Banco Central do Brasil 13.385
MEC – Ministério da Educação 13.053
MS – Ministério da Saúde 12.268
MT – Ministério do Trabalho 11.217
INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira 10.552

 

Os pedidos tiveram origem, principalmente, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e no DF. Entre os requerentes, a maioria é do sexo masculino (54,8%). Dos solicitantes que informaram o grau de escolaridade, 36,43% possuem nível superior; 24% têm ensino médio; e 4,51% o ensino fundamental. Quanto à profissão, há empregados do setor privado, estudantes, servidores públicos, professores, jornalistas e empresários. 

Os dados foram extraídos do Sistema Eletrônico do Serviço de Informação ao Cidadão (e-SIC), desenvolvido pela CGU. A ferramenta permite encaminhar e acompanhar pedidos de acesso à informação a mais de 300 instituições do Executivo Federal. 

Acesse os relatórios estatísticos na íntegra 

Conquistas nas transparências ativa e passiva 

Nesses cinco anos de vigência da LAI, o Governo Federal obteve conquistas na transparência ativa, isto é, quando os órgãos divulgam, de forma espontânea e proativa, informações de interesse público em seus endereços eletrônicos. Entre as iniciativas de abertura, destacam-se: 

  • Íntegra dos votos individuais dos diretores nas decisões do Copom pelo Banco Central;
  • Relação dos imóveis funcionais e de seus ocupantes pelo Ministério do Planejamento;
  • Lista de empresas autuadas por biopirataria pelo Ibama;
  • Registro de voos de autoridades pela Força Aérea Brasileira (FAB);
  • Gastos detalhados com publicidade pela Secretaria de Comunicação da Presidência;
  • Relatórios de auditorias e fiscalizações realizadas pela CGU; e
  • Remuneração individualizada dos servidores civis e militares no Portal da Transparência. 

Com relação à transparência passiva, alguns pedidos de acesso à informação feitos entre 2012 e 2017 tiveram repercussão, principalmente pelos assuntos abordados. Entre os exemplos estão: 

  • Relação dos armamentos comercializados por empresas brasileiras a outros países, com nome do fabricante e do comprador, volume e valores, desde 1990;
  • Detalhes sobre deportação dos boxeadores cubanos após Jogos Pan-Americanos 2007;
  • Gastos com passagens aéreas e diárias de hotel, nacionais e internacionais, pagas a servidores do Itamaraty, discriminada por nome, função e motivos da viagem; e
  • Questionamentos sobre existência de OVNIs feitos ao Comando da Aeronáutica. 

Outro destaque foi para uma estudante de jornalismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que solicitou à instituição os nomes dos bolsistas entre 2011 e 2015. A partir dos dados fornecidos, ela identificou benefícios de valor anormal pagos a algumas pessoas. A descoberta do esquema fraudulento contribuiu para a Operação Research, deflagrada em maio deste ano pela Polícia Federal, Tribunal de Contas da União (TCU) e CGU. As investigações identificaram desvios da ordem de R$ 7,3 milhões. 

Houve, ainda, casos em que foi necessária a atuação do Ministério da Transparência, enquanto instância recursal, para garantir aos cidadãos acesso aos dados oficiais do Executivo Federal.