Ética e Integridade

Ministro

Torquato Jardim: “A sociedade anseia por um período de ética permanente”

publicado: 16/11/2016 18h04, última modificação: 16/11/2016 20h09
Afirmação foi feita durante abertura da 3º Conferência Lei Empresa Limpa, em Brasília (DF)
Abertura da 3ª Conferência Lei Empresa Limpa

Para o ministro da Transparência, ambiente mais íntegro no país é uma responsabilidade conjunta dos setores público e privado - Foto: San Rogê/Fotogênese

“Há no Brasil, indubitavelmente, um clamor por ética”, disse o ministro da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU), Torquato Jardim, durante abertura da 3ª Conferência Lei Empresa Limpa. O evento, realizado em Brasília (DF), teve início hoje (16) e termina nesta quinta-feira (17). O objetivo é promover o diálogo e troca de experiências entre os setores público e privado sobre os novos paradigmas trazidos pela Lei Anticorrupção.

Jardim explicou que a sociedade anseia por um período de ética permanente, uma vez que o século XX e o início do século XXI foram marcados por períodos de renovação da esperança no Estado e decepção motivada por eventuais desmandos e ilícitos de políticos e governantes. “O brasileiro é antes de tudo um forte e não se dobra à mentira. A lição que fica é de que somos igualmente responsáveis, seja por dolo, omissão ou conformismo. Este evento é contribuição modesta e dedicada à reconstrução da ética por todos e em todos”, enfatizou.

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, também reforçou que o brasileiro exige, cada vez mais, dos legisladores, membros do judiciário e do executivo, comportamento ético e medidas que reforcem transparência de suas ações. “Vários arcabouços jurídicos têm sido constituídos para coibir o malfeito na administração pública. A Lei Anticorrupção representa mais um desses instrumentos que buscam garantir o devido cuidado com os recursos do Erário, sem deixar de abranger o aprimoramento da gestão das entidades do setor privado”, afirmou.

Em seguida, o ex-ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Brito, defendeu que empresa eficiente respeita a ética e não discorda dos quadros jurídicos tracejados para correta conduta que cada um deve seguir. “É preciso que toda as empresas brasileiras sigam a lei e sejam movidas por uma energia moral limpa. O modo mais inteligente de ser, individual e coletivamente, é ser honesto. Não dá trabalho e não dói”, destacou.

Premiação e painéis

Na oportunidade, o Ministério da Transparência divulgou a lista das 25 empresas aprovadas na edição 2016 do Pró-Ética. As companhias foram reconhecidas como íntegras e éticas nas suas relações entre os setores público e privado. Elas foram selecionadas após preenchimento de questionário eletrônico e avaliação por um comitê-gestor, formado por relevantes instâncias governamentais e da sociedade civil.

A programação da Conferência ainda prevê quatro painéis sobre os seguintes temas: as mudanças para as empresas com a nova legislação; a cooperação público-privada na prevenção e no combate a corrupção e lavagem de dinheiro; as medidas de compliance aplicáveis às micros e pequenas empresas; e as diferentes formas de fomento dos programas de integridade empresarial.

Os debates contarão com a presença de representantes da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Instituto Ethos, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), do Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça, do Gabinete de Transparência e Combate à Corrupção do Governo de Mato Grosso, da Tecnew Informática, do Sebrae, do Instituto Brasileiro de Direito Empresarial (Ibrademp), do Instituto Ética Saúde e do Banco Central do Brasil.